sexta-feira, 24 de junho de 2011

O complexo significado dos sonhos eróticos

Sonhar que está com outra mulher, traindo o marido, transando com o chefe – o que tudo isso quer dizer?
Cáren Nakashima e Livia Valim, especial para o iG São Paulo


A única pessoa que já chegou para a reunião é o seu chefe. Ele passa tão perto que dá para sentir sua respiração. Tranca a porta, puxa você pela cintura e dá um beijo sem permitir recuo. A mesa de reunião vira o palco para a melhor transa de todos os tempos. Então você acorda e percebe que foi só um sonho erótico louco, pois nunca sentiu atração por ele.
Não mesmo?
Muitos sonhos eróticos podem atordoar porque simplesmente não fazem sentido. Neste caso, a psicóloga Arlete Gavranic explica que o sonho pode refletir um desejo maior – não pelo outro especificamente, mas por alguma qualidade excitante que ele tenha. “Para algumas pessoas, o poder [no caso, do chefe] seduz”, diz a terapeuta sexual e psicóloga do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática (Isexp).
Mas apesar das diversas possibilidades de interpretações, a erotização do sonho muitas vezes revela o que realmente parece: desejo. O sonho deixa fluir a necessidade de sedução tão natural das mulheres e de criar fantasias.
Eles sonham, elas sonham
Fantasiar com pessoas idealizadas é mais natural entre as mulheres, conforme mostrou uma pesquisa feita pela Universidade de Montreal, no Canadá, que analisou 3.500 sonhos de homens e mulheres durante quatro semanas. De acordo com o estudo, anunciado em 2007 no encontro anual da American Association of Sleep Professionals, os gêneros têm a mesma quantidade de sonhos eróticos, a diferença está no tipo.
As mulheres registraram o dobro de sonhos eróticos com pessoas famosas em comparação aos homens. Elas também sonharam mais com amantes do passado e do presente. Já a ala masculina sonhou duas vezes mais com várias parceiras na cama ao mesmo tempo, além de fantasiar com sexo em público e em local proibido. “A mulher idealiza mais os parceiros, por isso sonha com o Brad Pitt e o George Clooney”, diz Arlete.

Do Brad Pitt, ninguém reclama. Mas e quando o sonho erótico traz imagens perturbadoras e mensagens confusas, como relações extraconjugais ou homossexuais? De acordo com Karina Hinsching, mestre em psicologia analítica, o sonho pode refletir uma provável insatisfação sexual. “Sonhar com traição pode significar uma situação desconfortável com o parceiro atual. Você acaba buscando no sonho a compensação de algo que está faltando na vida”, diz. Outras explicações são desejo de vingança e monotonia na relação.

Quanto à fantasia homossexual, apesar da possibilidade da existência de um desejo sexual legítimo, sonhar com uma parceira na cama pode refletir a vontade de viver a sensualidade feminina projetada na sensualidade de outra mulher. Um momento difícil no relacionamento também pode justificar um sonho como esse, um tipo de fuga de um modelo que não está dando certo.
Pode ser tudo e não pode ser nada?
Apesar de alguns pesquisadores modernos ensaiarem, o fato é que não dá para montar uma cartilha incontestável de sonhos e significados. No jogo do consciente com o inconsciente durante o sono, tudo parece metafórico demais para uma compreensão simplista. “O sonho vem com imagens que o inconsciente manda por meio de símbolos. Descobrir o significado desses símbolos pede uma autoanálise profunda”, diz a psicoterapeuta Monica Levi.
Se o sonho dá pistas – e não a mensagem pronta, uma análise consciente dele pode trazer respostas. “Analise qual é a sensação que aquele sonho traz. Se você fica assustada, desagradada, com prazer. Depois, pergunte-se como gostaria que fosse o final daquele sonho”, ensina. Dessa forma, você conseguirá chegar a conclusões importantes e pessoais sobre os seus sonhos eróticos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

COMO SUPERAR UM AMOR PERDIDO!

"Como superar essa fase de separação de uma união de 4 anos de vida a dois, onde após alguns meses separados (quase dez) se descobre que o ex tem outra pessoa... é uma sensação estranha, difícil! Não sei explicar exatamente o que se passa. Tento ser neutra a tudo isso mas no fundo, no fundo isso me incomoda, e muito! Por favor, me digam se isso está dentro da normalidade...O que eu posso fazer para aliviar essa ansiedade toda...Tenho levado minha vida, então, porque isso ainda mexe comigo?"
Peguei emprestado um trecho da história e dos sentimentos de uma usuária que dividiu um pouco da fase que atravessa.
O que captura minha atenção são as demonstrações de seus sentimentos que, embora não estejam explícitos nas linhas, estão contextualizados na; culpa por sentir dor, tristeza, raiva, sensação de estranhamento e "erro" por não estar pronta, curada e preparada para uma nova jornada afetiva, nos conflitos que a fazem sentir-se inadequada.
Na forma de cultura vigente, percebemos cada vez mais que pessoas e máquinas vivem praticamente em nível de igualdade. Hoje dizemos que uma pessoa não sonha mais em ser como alguém que admira, hoje os jovens buscam ser como máquinas, o ideal de ser é o ideal da rapidez, da precisão, da velocidade, da tecnologia. Sentir pra que? Sentir por quê? Acredita-se ser possível deletar e apagar pessoas e sentimentos como fazemos em nossos computadores e assim muitos fazem com a vida dos outros e com as próprias.
Inúmeras vezes chamamos de isso nossa própria vida, sentimentos, nossa história, como se fosse algo menor, como se considerá-los diminuísse o valor que temos no mundo, como se sentindo nos tornássemos fracos. Usamos um pronome quase depreciativo, isso, para no fim falarmos de nós mesmos. Essa crença traz culpa para aqueles que sentem, que entram em contato com seu mundo interno, com seu rico e valioso mundo interno, cada vez mais deixado em segundo plano, cada vez mais banalizado, cada vez mais considerado como alguma coisa estranha e desnecessária. Se culpam porque ainda não se recuperaram, porque ainda sofrem, porque sentem.
Considerar a existência do mundo interno é entrar em contato, sentir, sofrer, viver conflitos, amar, sorrir...nos dias onde todos buscam uma vida como vista em comerciais de TV, como fazer quando, em um certo momento, o que temos, sentimos ou vivemos em nada se compara com a alegria lá fora? E aí entra em cena a urgência de finalizar a dor, a pressa que leva muitos a dizerem "eu ainda sofro pelo fim do casamento, está certo sentir assim?"
A urgência não deveria estar na rápida tentativa de aniquilar os sentimentos e sim no retorno ao ritmo humano e natural dos sentimentos, com início, meio e desfecho. Seria possível então atravessar a dor com o tempo e respeito necessários, sem a idéia de que vivê-la é errado ou inapropriado, é simplesmente humano. Teme ser fraco ou frágil aquele que ainda chora, ainda pensa, ainda sente. Claro que não quero por meio do artigo dizer que o sofrimento deve ser eterno ou cultivado, ele precisa ser considerado e respeitado porém cuidado e tratado para que através dele advenha um maior conhecimento sobre si e um crescimento emocional. Mais forte e saudável será aquele que admite sua dor, aceita, lida e transforma.

Este artigo foi escrito por:

Dra. Juliana Amaral - Psicóloga